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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Minimalismo



Essa semana, enquanto voltava de uma viagem a minha cidade natal, dentro do ônibus eu observava a paisagem pela janela. Sempre gosto de me sentar próximo a janela! O clima estava perfeito, e a poucas coisas gosto de atribuir a palavra perfeito. Podia sentir o vento, uma brisa suave e gélida batendo em meu rosto, bagunçando meu cabelo, e me fazendo ter certeza de que existe vida dentro de mim. Foi então que comecei a refletir sobre alguns aspectos de minha vida, de como me faz bem apreciar coisas simples, digo simples de verdade, de um minimalismo tão grande que se torna invisível aos olhos de muitas pessoas. E não deveria! Lembrei de como era bom os banhos de chuva que eu tomava na infância, de como era bom comer o resto de bolo de chocolate que sobrava, o quanto a natureza me faz bem. Esses momentos Meus, de mim para mim mesmo são essenciais para minha existência, sou um ser sociável logicamente, mas extremamente necessitado de Momentos de solidão. Dos meus momentos eu não abro mão. Olhando as nuvens me perdi numa infinitude de formas e cores, o crepúsculo se aproximava, e o espetáculo parecia não ter fim. Minhas palavras nesse momento me fazem lembrar de Clarice Lispector e sua forma peculiar de abordar assuntos existenciais, tão simples e obvios que tocam qualquer leitor. Adoro quando ela diz que o óbvio é a verdade mais difícil de ser enxergada. E aquilo tudo para mim era obvio, era simples... mas era incrível.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

(Des)construção

Sentir.
Talvez nada pode ser tão perigoso,
do que sentir.
Meio termo não se aplica ao sentimento.
É leve e suave, ou devastador como um furacão.
Eu quero, quero muito que tudo fique bem entre nós.
Estou aprendendo.
Não importa o quão inseguro você está,
Não importa como foram seus relacionamentos antes de mim,
podemos Desconstruir tudo e depois construir de novo.
Construir uma realidade para nós. Só para nós.
Ninguém poderá entrar nela, é Nossa!
Essa construção é mútua, só terá fim quando deixarmos de ser
rascunho e passarmos a ser arte final, no leito de morte.
Vamos Construir ?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ideal da Felicidade

Em nossa cultura há tantas questões incoerentes. Há um tempo, as campanhias publicitárias vem tentando vender o ideal de felicidade. Será isso mesmo possível? O controle que as grandes empresas tem sobre a sociedade é tão grande que parece um roteiro de ficção com padrões Hollywoodianos. Se qualquer pessoa olhar em volta percebe facilmente que não se pode mais estar triste. Sim, digo 'estar' triste e não 'ser' triste. As pessoas tem que demonstrar o tempo todo que estão bem e felizes. Hipocrisia pura!
Ninguém é feliz o tempo todo. Todo ser humano tem momentos de agonia, tristeza, vontade de chorar....
O meio social instala a crença de que qualquer tristeza já é Depressão. Será por isso que a Depressão se torna cada vez mais popular? Tenho certeza que todos nós já conhecemos ou convivemos com alguém que diz (ou disseram pra ele) ter esse transtorno psicológico. A felicidade é muito relativa, cabe a cada um encontrar o que lhe faz bem, a curto e longo prazo. Não é  "abrindo a felicidade" que tem dentro da Coca-Cola que você vai ser feliz, no máximo o consumo exagerado da Felicidade da Coca vai te deixar com gastrite. As pessoas podem e precisam estar sozinhas, se sentir angustiadas as vezes, sentir triste mesmo. A pílula da felicidade não existe e se sentir perdido pode ser o primeiro passo para se encontrar.

Vou caminhar e me deprimir. Eu tô louco pra ficar triste. Eu nunca posso — tem sempre alguém do meu lado que merece ficar triste mais do que eu. Agora que tá todo mundo bem, eu vou aproveitar e me deprimir. Mas vocês não se preocupem, é coisa de uma hora só, no máximo. Eu caminho pelo mato. Me deprimo. Aí deito deprimido, durmo deprimido e acordo morto de fome.
Do curta-metragem Estrada, com direção de Jorge Furt.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Há razão na loucura!

É eu sei.
Só não consigo entender.
Sou prolixo, que nem minha alma também é.
Mente, alma, psiquê... seja lá o nome que se deseja dar,
eu tenho!
Tenho tudo isso, no vazio intangível do meu ser.
É vazio, mas existem espectros lá.
Esquizofrênia, não!
Complexos, talvez!
Loucura, sim!
Os loucos são aqueles que dizem não ao convencional
e partem por caminhos desconhecidos.
Eles descobrem, (des)constroem, provam que o impossível é só
questão de opinião mesmo.
Ser normal é se enquadrar em algo pré-definido por pessoas que nem
me conheceram, não sabiame do que gosto e nem do que preciso.
Então sou louco?
Bem menos do que gostaria de ser.
Queria mesmo ousar mais, me lançar...
e ver até onde consigo chegar!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Decifra-me


E o que era pra ser. Ainda é um pode ser, e talvez logo não será!
Ele não sabia, talvez não quisesse, embora sabia que queria. Mas igualmente incerto,
que nem o dia de amanhã, Ele se encontrava.
Aquela angústia, maldita angústia que fincara no peito, queria sair. Se libertar em forma
de um choro, sem lágrimas, mas é um choro! Um choro de alma, talvez do coração! Mas o coração chora? Pensava Ele. Não entendia, mas sabia. A saudade era tanta que beirava ao insuportável. Aquela pessoa que a tão pouco tempo conhecia, já havia conquistado um espaço maior do que se podia dar! O coração que antes era de pedra, ainda assim continua. Mas é uma pedra que bate, que pulsa e como pulsa! As vezes até dispara. Não o peça para se explicar, Ele não vai conseguir! Explicações não podem traduzir algo que é novo, e é novo porque antes nunca fora sentido, não de forma tão intensa. É um terreno tão lindo que Ele se jogaria de ponta cabeça, mas o medo de quebrar o pescoço o impede, o paralisa. É um misto de sensações, talvez uma invenção delas! Mas era. Existia. E existia porque Ele sentia. Seria amor? Ele não sabia, e nem queria saber. Bastava só sentir! E estava sentindo. Tanto que era até perigoso. Mas o jeito de ser dele parece que atrapalhava, um braço era curto demais. Não se ajeitava! Ou pelo menos achava que não. Sua forma de ser era deveras única, como todos os corpos também o são. Era meigo, doce e sensível, mas ao mesmo tempo era tão rude e inacessível! Talvez estivesse se descobrindo. É deve ser isso, Ele estava se construíndo. Talvez fosse um rascunho, cuja arte final só estaria pronta no leito de morte. Daí não existiria mais, ou não? Talvez depois de pronto Ele fosse morar no céu, ao lado de Madre Teresa e São Francisco. Mas agora, enquanto rascunho, Ele só sabia que Ele sentia, e isso já estava de bom tamanho. De poucas palavras, Ele fere facilmente! Mas tem bom coração, isso tem. Parece que a capacidade de odiá-lo estava intrinsicamente ligada a habilidade de amá-lo. Ele sabia perdoar, sabia respeitar a vida de outros seres que como Ele, eram humanos. Mas era irritável também, sempre sentindo. Não parava de sentir! Até onde isso chegaria? O sentimento se tornava verbal, as palavras proferidas nem sempre eram aquelas que queriam ser ouvidas. Mas de uma coisa Ele não se arrependera, de ser sincero! Foi sentindo que Ele resolveu dizer: " Não consigo decifrá-lo, e isso me irrita. Prefiro me afastar de você".

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

(A)prendendo


Sou livre, mas tenho que colocar grades em minhas janelas.
Sou livre, mas simbolicamente a prisão armou sua tenda ao lado, muito próxima a mim.
Aprendi que a liberdade para muitos é mito!
Estou aprendendo que a liberdade pode ser a destruição de seres que sem a base de valores e normas sociais, ficam sem chão.
Não conseguem se estabilizar sem um referencial!
Agora só as grades em minhas janelas não bastam, tenho também, cerca elétrica em todo arredor de minha casa.
Mas ainda não me sinto seguro. Faltam ainda as câmeras de vigilância e um segurança pessoal.
Dia desses vi um policial a prender um sujeito na rua, perto de casa. Ele vai para um lugar com muita vigilância, cerca elétrica, câmeras e grades. Esse lugar, por incrível que pareça, não é a minha casa.

sábado, 17 de julho de 2010

Sem nomes


Ela é linda né?!
Conversavam sobre uma famosa cantora latina, agora americanizada.
Sentados ali, naquele vermelho chão, dois jovens cheios de euforia mesclada a fortes batidas do coração se encontravam. Os personagens deste conto não tem nomes, pois não é necessário nomear, aqueles que são desconhecidos.
"Sente-se aqui comigo" disse o mais velho.
"Claro" respondeu a pessoa dona de uma voz suave e tranquila, capaz de acalmar o mar em dias de tempestade. Sentaram ali mesmo no chão da varanda e como por atração se abraçaram, ao som da famosa cantora latina. De repente o mundo em volta não importava, nada mais era importante, a não ser a companhia um do outro. O momento era agradável demais, porém mesquinho, não era permitido distração, ambos tinhas que estar inteiramente presentes ali. a presença era sentida na temperatura do corpo, nos beijos saborosos, nos abraços apertados e na troca de olhares. " Seu olho é mais claro que o meu" disse um deles. O tempo, passageiro inquieto, pegou o mais veloz trêm existente e voou. Já era noite! Eles ainda estavam ali, abraçados ouvindo a respiração um do outro. Só a trilha sonora que mudou, por que a vontade e o desejo de permanecerem ali abraçados continuava. Momentos depois, já passava das 20:00 horas (!) as lembranças pairavam pela casa, vazia. No peito a saudade que como fome devora e precisa ser saciada