Páginas

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Tons de azul, e de vermelho.


Ando por fora, quase parando. Só quero apreciar os tons, e perder o trem... tanto faz. A paisagem eu deixei de perceber quando eu corria, e ria dos que ficavam para trás. Assim, todavia me via indo, sem nunca chegar a sair do mesmo lugar. Eu vi algumas coisas quando andei lentamente, e era tudo tão óbvio, tão difícil de enxergar, pois meus olhos estavam vendados de um lado. Eu enxergava meias verdades, meias noites e meias luas. Era um mundo pela metade, o que via. Hoje olho com cuidado algumas lembranças, que de longe é passado, pois  formam e deformam a minha maneira de sentir. Eu signifiquei-as, ou melhor ressignifiquei-as hoje de manhã, depois de duas horas de sono mal dormidas. Digo que existe coisas assustadoras e maravilhosas, e assim os são ao mesmo tempo, na mesma medida. Uma situação, é um prisma com inúmeras possibilidades de combinações e interpretações diferentes. Hoje de manhã eu me ressignifiquei, até quando eu não sei. Do belo ao feio, do sombrio ao nefasto, do açúcar ao caramelo, tudo pode ser (re)ssignificado, ou não. Só depende da vontade. Amanhã não sei de nada, mas hoje quero cheiros, azul e vermelho, cama com travesseiro e beijos nos cabelos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Coisas i(ni)magináveis


... e quando abriu os olhos estava flutuando, achou melhor fechar um deles enquanto o outro permanecia semi aberto. Era estranha a sensação, nunca havia flutuado antes. Os minutos foram passando e somando em horas, até que ele acostumou. Podia sentir o vento gélido da manhã cortando em alegria seu rosto, sentiu também os  pés tocando a relva molhada com gotas de orvalho. Como pode isso acontecer? Pensou... e pensou mais um pouco, até não querer mais. Nesse momento se lembrou daqueles que malham só o corpo e ficam com os músculos grandes, mas o cérebro cada vez menor. Se sentiu bobo, e isso não era ruim. As vezes é preciso ser bobo para aproveitar coisas simples e viajar sem rumo, permanecendo no mesmo lugar. Foi quando viu um lago verde, com cheiro de maça. Foi descendo até tocar de leve a água, e era como se houvesse uma ligação com esse elemento. Decidiu ficar ali mesmo, pois a frente tinha uma montanha cheia de coisas inimagináveis que ele tinha preguiça de saber. Então ele foi descendo, seus pés tocando a água era uma sensação quase que divina. De tão estranho ele estava gostando cada vez mais! Sentou-se a beira do lago e viu peixes em formato de balões saltando sobre a água. Era um refúgio, algo como um outro mundo dentro do mundo, devia ser isso. Ali ele ficou em clima de êxtase, por alguns segundos (ou seriam horas?) até que percebeu ter perdido os chinelos da sorte, por puro descuido. O que iria fazer? Não podia mais flutuar sem eles, e por mais que ele gostasse daquele lugar queria voltar a realidade. Por sorte, essa preocupação não durou muito. O cheiro já não era de maça, mas mesmo assim era bom, então os peixes começaram e explodir e a água sumir, lembrou-se que tudo que é bom dura pouco. Ele não estava triste, afinal esse pouco foi uma incrível experiência, e então ele se percebeu deitado em sua cama, com o cobertor quase ao chão e o relógio marcando 10:30 da manhã, lembrou que deveria estar de pé as 8:00.

domingo, 26 de agosto de 2012

Próxima fase.

Deve ser a respiração ou apenas o coração batendo forte aqui no peito. Fico sentindo cada batimento dentro de mim, ao menos ele bate. Sinto vida, e essa morre a cada segundo que passa ao entrar no trem com destino a lugar algum. Esse viver é que é difícil, mas maravilhosamente difícil é viver! Não quero aqui definir o certo do (in)certo, isso é de cada um, apenas quero escrever sem ao menos saber se alguém irá ler, entretanto é de gente que sou feito então é para gente que eu escrevo.  Tudo que percebo é próprio para mim, é diferente e digo que quero desabafar, só para verificar se o coração 'manera' o ritmo. É estranho perceber como funcionam as convenções sociais, pois elas ditam e editam as pessoas. Lembro-me de certa vez meu terapeuta ter me perguntado se tenho medo de não me tornar um Psicólogo, eu prontamente despido de qualquer face disse: " Não... até por que eu já me sinto um Psicólogo". Estar aware disso trouxe um significado tremendo em minha existência, é como se eu tivesse parado irremediavelmente no tempo e percebido que já sou um profissional. É maravilhoso saber disso, que gosto do que eu faço, gosto de atender meus clientes, eu gosto! Bem sei que a vida é aqui e agora e feita de cara e cora, sendo assim o outro lado da história é o peso de se denominar um profissional em Psicologia. O ladro B da história é que o senso comum acredita que nós não podemos ter nenhum tipo de problema, expressar raiva, insegurança ou angústia, e isso me irrita. Em minha abordagem de trabalho, priorizo a relação Eu-Você, ou seja, de pessoa para pessoa, isso já traz em si implícito questões relativas a humanidade. As pessoas tem um ideal - puramente ideia- que retrata o psicólogo como um ser bem resolvido e possuidor de nenhuma tristeza ou incerteza, e quando em psicoterapia o cliente entra em contato exatamente com sua humanidade e a humanidade do terapeuta é lindo como ele se transforma. O mundo, o tempo todo tende a levar a perca da humanidade, e isso é resgatado no encontro estabelecido entre o psicólogo e seus clientes. Todas essas questões me fazem entender que eu sei o que quero fazer, sei também o que está dando certo em minha vida, e com isso posso evitar algo que não dê certo de acontecer. Sinto que a vida é construída de ponte em ponte, como já escrevi em um post antigo, onde fragmentos se juntam e formam todo o significado que buscamos, até o momento de nossa morte.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Dar sentido é sentir




Dar sentido é sentir. São tantos os pequenos e grandes acontecimentos da vida. Eu queria ser diferente sem deixar ser eu mesmo! Ainda chego lá, acredito que  é possível construir  o ser humano que desejo ser . Hoje parei para pensar e percebi  o quanto é bom ouvir o barulho da chuva,  que apesar de ser o mesmo é diferente de acordo com o jeito em que toca o chão. Percebi que meu humor matinal tem que melhorar, as pessoas que gosto não são obrigadas a tolerar, descobri que gostar de mim é difícil e achei isso bom. Quem gosta de mim gosta de verdade, do contrário se perde na imensidão de minha personalidade muitas vezes prolixa. Hoje também refleti sobre o amor, e descobri que nada sei sobre ele apesar de conhecer muita coisa. Fiquei feliz em saber que alguém está infeliz, por que eu tentei que fosse diferente, mas tentar ser a felicidade de alguém é algo em vão. Isso me faz menos bonzinho?  Hoje eu senti algo que há muito não sentia, eu não  sei se quero dizer o que era, é algo tão meu e quero que assim permaneça. Também fiquei feliz pela felicidade de alguém, isso me torna menos malvadinho? Na madrugada é que percebo, enquanto a chuva continua a cair, que as coisas são instáveis demais. Por que eu não consigo dormir se estou com sono? Por que muitas vezes o meu maior inimigo pode ser visto enquanto eu me olho no espelho? Apesar disso eu estou bem, talvez melhor do que nunca estive!Hoje aprendi que existem pessoas mais confusas que eu, e isso me deixa mais tranquilo, com aquela sensação de que não estou sozinho nessa. Hoje eu planejei meu futuro e vi que isso nada adianta quando se fala em viver, pois a vida não tem receita, não tem regra. A vida tem fome de movimento, está sedenta por sentimento. Diferente de ontem hoje eu acredito no cara que vejo no espelho, sei de sua capacidade de fazer algo importante nem que seja levantar  todas as manhãs disposto a viver mais um dia. E, já que é assim,  que seja um bom dia! 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sexualidade e gênero


              O que se entende quando as palavras sexualidade e gênero são mencionadas? Para alguns sexualidade é algo estreitamente ligada a práticas sexuais, não sendo digna de entendimento. Para outas pessoas gênero é uma categoria que só veio para complicar.
                  Sabe-se que o conhecimento acerca de um determinado assunto tem uma história. Sendo assim, é difícil conceber conceitos acerca da realidade que não partam do princípio de uma construção social. Pensar na realidade como uma construção é exatamente acreditar que nada é estático e sim pode mudar a medida que a própria sociedade vai mudando. Assuntos relativos a existência humana sempre foram de interesse das mais diferentes áreas do conhecimento, dentre elas claro, a psicologia. A sexualidade de alguma maneira comparece comparece nas diversas relações estabelecidas entre os indivíduos e pode ser fonte de sofrimento e frustração. Isso acontece porque os discursos sociais privilegiam o modelo heterossexual, marginalizando a homossexualidade. É como se o 'certo' fosse o individuo se enquadrar no modelo padrão, se relacionando com pessoas do sexo oposto por que isso é o normal.
               Partindo do principio advindo do construcionismo social, o que entendemos como "certo/errado" ou "normal/anormal" foi construído em um momento histórico, obviamente para manter alguns interesses. Isso pode ser verificado quando a sexualidade da mulher foi 'inventada' tendo como referência a sexualidade masculina. É como se o sujeito mulher fosse tão inferior ao homem ao ponto deste ser "criador da mulher. Essa questão pode ser verificada até os tempos atuais quando, por exemplo, um palestrante cumprimenta seus ouvintes dizendo " Bom dia a todos os que aqui estão presentes" como se ouvesse só pessoas do sexo masculino. É interessante analisar que a homossexualidade é entendida como minoria e sempre existiu, entretanto o sujeito homossexual não. Essas categorias foram surgindo para identificar a sexualidade das pessoas e de alguma maneira trazer o discurso de uma minoria que visa apenas lutar por direitos políticos e sociais. Diante disso, não é difícil pensar que é interessante ao modelo heterossexual manter a idéia de que qualquer prática sexual feita fora dele seja imoral, errada e pecaminosa. Isto dá ao modelo hétero um status ainda maior, afinal para algo ser considerado normal tem que existir o anormal.
              Em suma questões relativas a sexualidade humana devem sim serem discutidas, afinal a sexualidade é uma maneira particular de uma pessoa se relacionar com o próprio corpo e com o meio social. Falar em gênero e sexualidade também é falar sobre subjetividade e relações sociais, sendo assim, deveria ser um assunto de fundamental importância na formação de profissionais.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O desabafo


Mauro não aguentava mais o aperto que sentia lá de dentro. Era aperto de peito, de coração mesmo! Esses são cruéis, pensava ele. Enquanto falava e pensava, seu amigo parecia escutar cada palavra com atenção.
__ Sente-se.
Disse Mauro.
__ Obrigado, então conte-me tudo que se passa com você, amigo.
Sentados ali um de frente para o outro, com o ar dançando em volta deles, Mauro contou ao amigo tudo....
__... eu sei que não fui enganado,ele sempre deixou bem claro que não queria namorar. E eu aceitei isso! Mas havia algo em mim que ainda acreditava. E aquela marca? Eu acreditava que talvez tudo mudasse depois do ano novo. Acaso não é no ano novo que os sonhos se realizam?
__ Ao menos é o que dizem. Disse o amigo.
Mauro parecia não escutar, ele queria falar, pois precisava se expressar!
__ E quero um amor, uma paixão com tesão, e não importa se irá durar 6 dias, 2 anos ou 20. Eu quero que seja intenso, isso é amor. Então, eu disse que não iria cobrar nada dele, só o que ele pudesse me dar, mas afinal o que ele poderia me dar? Talvez eu nunca saiba...
__ Talvez só de não cobrar você já o fizesse. Interrompeu o amigo fazendo leves gestos com as mãos.
__ Ele me deixa confuso amigo, se não quer algo sério por que não me deixa distanciar? E o pior, soube que ele está conhecendo outro rapaz. Dizia Mauro olhando no fundo dos olhos do amigo enquanto imaginava o roxo escondido embaixo do braço.
__ Então, vim embora por que eu disse que não ia cobrar nada e se ficasse para conversar eu sei que iria acabar deixando algo escapar, algo que talvez devesse ficar só pra mim. E sabe, meu amigo, ele disse que queria conversar comigo. Eu não consigo disfarçar como estou, meu humor não é camuflável. É fácil saber como estou, portanto se me ver partindo 'aparentemente' sem rumo, deixa.
E ali por alguns segundos, ou seria minutos? O tempo passou, o silêncio só foi incomodado pelo vento que brincava ao balançar as folhas de uma árvore, desconhecida por Mauro.
__ Obrigado amigo, você me deu o que é mais difícil de se encontrar: sua escuta ativa. Essa  escuta é  genuína, um lugar onde eu posso dizer o que eu quiser sem ter medo de julgamentos. Obrigado.



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Espelho meu!


E tenho aprendido a importância de me olhar no espelho. Mas não qualquer espelho, este tem que estar repleto de verdades. O reflexo me leva a reflexão. Ao me levantar com cara amarrada, afinal detesto acordar cedo, corro para o espelho. É claro que me assusto com o que vejo, esta marca de expressão não estava ali ontem de manhã, ou estava e nem percebi? Isso não importa! Ao escovar meus dentes me preocupo se a pasta dental irá deixá-los suficientemente brancos para exalar um sorriso radiante as pessoas que irei encontrar ao longo do dia, a embalagem promete isso. Meus cabelos já nem brigo mais, não adianta, ao olhá-los no espelho eles parecem me dizer que tem vida própria. Lavo meu rosto, e é boa a sensação de sentir a água fria tocando minha pele, me causando alguma sensação. Sentir a água gélida da manhã me desperta, me incomoda, me faz vivo. Só então, depois de me olhar novamente no espelho e perceber os castanhos claros de meus olhos, é que me sinto pronto para sair de casa. Só ali olhando para mim e mais ninguém eu vejo o que é invisível em outros momentos do dia, a vida que há em mim.